A Whirlpool, multinacional que controla as marcas Brastemp e Consul, anunciou a transferência de sua produção industrial da Argentina para o Brasil, encerrando as atividades da fábrica em Pilar, província de Buenos Aires. A mudança visa concentrar toda a fabricação na unidade de Rio Claro, em São Paulo.
Para tornar essa transferência viável, a filial brasileira adquiriu ativos da unidade argentina, avaliados em 36,7 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 194,1 milhões de reais. Esta decisão ocorre em um contexto de incentivos fiscais do governo paulista, que busca promover a indústria de eletrodomésticos por meio da redução do ICMS e benefícios tributários.
Desafios enfrentados pela produção na Argentina
A fábrica de Pilar, inaugurada em outubro de 2022, possuía a capacidade para produzir 300 mil máquinas de lavar anuais, com a expectativa de que 70% dessa produção fosse exportada. Contudo, a concorrência gerada pela redução do imposto de importação na Argentina, que passou de 35% para 20%, resultou em um aumento significativo de produtos asiáticos no mercado local, levando a uma queda na produção da Whirlpool.
Os relatos indicam que as máquinas de lavar disponíveis no país saltaram de cinco mil para 87 mil unidades mensais. Como resultado, a produção na fábrica de Pilar caiu de 600 para 400 unidades diárias antes de ser encerrada.
Apesar do fechamento da fábricas, a operação na Argentina manterá sua função como importadora e distribuidora, com uma equipe reduzida nas áreas administrativas e de vendas que varia entre 100 e 120 funcionários. No entanto, o fechamento da unidade provocou a demissão de 220 trabalhadores que atuavam diretamente na produção.
Expectativas para a produção no Brasil
A transferência da produção vem acompanhada de um contexto desafiador para o setor de eletrodomésticos no Brasil, em decorrência das altas taxas de juros que encarecem o crédito e podem impactar o consumo. A taxa Selic, em 14,75% ao ano, é um fator determinante para o varejo.
Contudo, o diretor-geral da Whirlpool no Brasil, Gustavo Ambar, destacou que a combinação de um mercado de trabalho mais aquecido e o aumento da renda média podem ajudar a minimizar os efeitos negativos dos juros nas vendas. Este cenário otimista se alinha com as perspectivas de crescimento da empresa para 2026.
Com a transferência, a Whirlpool, que emprega cerca de 44 mil pessoas globalmente e detém 40 centros de pesquisa, procura não apenas consolidar sua produção no Brasil, mas também otimizar seus custos e aumentar a competitividade no mercado.
Essa movimentação estratégica significa não apenas uma alteração na cadeia de produção regional, mas também a confirmação da intenção da Whirlpool em fortalecer seu papel no setor de eletrodomésticos brasileiro, um segmento que, apesar de desafios, ainda apresenta crescimento segundo os dados mais recentes do IBGE e da CNI.
Fonte: aRede
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